terça-feira, 12 de abril de 2011

Andantes do deserto

Certo dia um andante encontrou um outro andante sentado em um monte de areia no deserto, ao aproximar-se dele ele chorava copiosamente, sentou-se bem perto dele sem dizer nenhuma palavra, tirou do bornal uma botija de água, bebeu um pouco e passou a botija para o outro andante, ele negou-se a aceitar.
O viajante que havia chegado perguntou: porque não aceitas?
Respondeu lhe então com a voz muito baixa, estou me alimentando com a água das minhas lágrimas, pois elas haverão de purificar minha alma, aí sim eu poderei sentir o doce sabor do perdão de todos os seres que magoei.
O andante que havia chegado deixou a botija bem perto dele e seguiu seu caminho; mais adiante ele encontrou um outro andante cavando um buraco com as mãos, seus dedos já estavam cheio de bolhas pois a areia estava muito quente.
O andante perguntou-lhe: que procuras amigo?
Ele respondeu: estou procurando algum alimento para saciar a minha fome; o andante disse: tenho dois pães posso te dar um e comer outro, só que água eu não tenho pois deixei com um outro andante que chorava para redimir de suas culpas.
Ah! eu aceito pois também deixei com ele, só que a água eu trouxe, ambos comeram os pães e beberam um pouco de água, quando se preparavam para continuar a andar no deserto ouviram uma voz pedindo para que o esperassem, olharam para trás era o andante que antes chorava que agora sorria. Sem dizerem nenhuma palavra caminharam na mesma direção. Quando a tarde caia na imensidão do deserto avistaram bem longe copas de árvores, caminharam ainda bastante, quando lá chegaram realmente era um oasis; muitas árvores sombreavam aquele lugar, entre elas havia uma cacimba de águas cristalinas que brilhavam como o mais perfeito dos diamantes, cansados encostaram nos troncos das árvores, um sono apossou-se deles; quando acordaram, uma melodia sonora de uma lira entoava uma canção tão linda que até os pássaros e o filete de água da cacimba pararam para ouvir.
Os três andantes procuraram entre as árvores de onde vinha tão linda melodia foi quando depararam um mendigo que em uma pedra assava quatro pães, com roupas esfarrapadas, cabelos desalinhados, barbas longas; nem a percebeu da presença dos três andantes.
Quando sua melodia fez-se um grande silêncio o mendigo pegou seu bornal, seu cajado um pedaço de um pão e sem dizer nenhuma palavra pegou o caminho do deserto.
Os andantes ficaram ao redor de uma fogueira que o mendigo havia deixado acesa, cada um comeu um pão, quando terminaram de comer sobrou um pedaço de pão encima da pedra. Ficaram imaginando porque o mendigo havia comido só um pedaço: de repente uma revoada de pássaros aproximou-se bicaram o outro pedaço até o final, em seguida foram até a cacimba beberam água e voltaram para suas árvores; voltou a fazer o mesmo silêncio de antes só que longe muito longe ouvia-se uma lira que tocava e sua melodia juntava-se com o tenor dos pássaros.
"Quando se divide um pão Deus está presente".

Nenhum comentário:

Postar um comentário